DEVIR-ÁRVORE é uma peça vocal desenvolvida no âmbito do evento BESTIÁRIO HERMENÊUTICO, que teve lugar no Jardim Botânico do Porto, no dia 6 de junho de 2025. É desenvolvida em volta de uma magnólia e destina-se a ser ouvida de frente para a árvore.
Jardim Botânico da U. Porto e Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva / ESMAE IPP PORTO
“Ao vaguear pelo Salão dos Quinhentos vislumbro no teto imagens estranhas, que me surpreendem e atraem. São tartarugas com uma grande vela enfunada pelo vento sobre as suas carapaças. Há muitíssimas no teto e nas paredes e quem as observar atentamente vislumbra também uma frase que as acompanha: festina lente (apressa-te lentamente).
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Com efeito, a tartaruga é um símbolo de lentidão, enquanto a vela enfunada pelo vento é um símbolo de velocidade.
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Num mundo que corre vertiginosamente, com lógicas amiúde incompreensíveis, o problema da lentidão surge na mente com prepotência, como meta do pensamento e do caminho a percorrer. Andar mais rápido não significa conhecer mais do que aquilo que o caminho oferece e ninguém quer chegar antes do tempo ao fim do seu percurso.”
Coordinação : Mario Azevedo e Ana Freijo, ESMAE, P PORTO
Devir-árvore : Vozes : Mariana Marques Coelho, Rodrigo Pinto, Catarina Ribeira, Clélia Colonna